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Programa da Goldman Sachs desperta mulheres no mundo todo

Kathleen Parker, do The Washington Post (7 de novembro de 2010)

 Se Helen Reddy grita “Eu sou uma mulher, escute o barulho que faço” é muito provável que as pessoas acreditem tratar-se de um hino cômico e não da trilha sonora de um movimento sério, que visa uma maior igualdade.


Mas quando esses mesmos sentimentos são expressos por uma jovem afegã chamada Fátima, que criou o seu próprio negócio de construção no meio da guerra, da corrupção e dentro de uma cultura que mal tolera as mulheres, as pessoas são mais inclinadas a parar e ouvi-la.


Em um almoço em Nova York, Fatima disse que todas as manhãs fica em frente ao espelho e repete “eu sou uma mulher e sou poderosa”. O almoço foi organizado pela fundadora do Daily Beast, Tina Brown, para homenagear quatro mulheres afegãs, incluindo Fatima, recém-formadas no programa 10.000 Mulheres da Goldman Sachs.
O mantra que Fatima repete em frente ao espelho é uma das coisas que ela diz ter aprendido com seu professor. “Eu percebi que não há diferença entre mim e o meu irmão”.


Sentada em uma das diversas mesas arrumadas para o almoço, admirando essas mulheres e ouvindo as suas estórias, eu não pude deixar de pensar o quão surreal deveria ser para elas essa primeira viagem aos Estados Unidos. Com as suas cabeças cobertas e os seus rostos sem qualquer traço de maquiagem, elas falavam mansamente mas com autoridade.


O sucesso tem uma presença própria.


De fato, o sucesso extraordinários dessas mulheres é devido à sua situação, incluindo a necessidade de usar somente seus primeiros nomes a fim de proteger as suas identidades. É desnecessário dizer que nem todos no Afeganistão estão orgulhosos das suas realizações e a segurança ainda é um enorme desafio. Muitas vezes, Fatima e as demais precisam empregar homens como vendedores ou, pelo menos, precisam manter um homem por perto quando se aventuram para fora dos seus pontos comerciais.


Masooda, outra formanda do programa da Goldman Sachs, tem uma empresa que produz compotas e conservas. Ela disse que todos os seus funcionários são seus parentes e analfabetos. Ela emprega 23 pessoas, sendo 20 mulheres.
Fatima começou seu negócio quando tinha apenas 15 anos. Agora, aos 23 anos, ela emprega 76 engenheiros e operários da construção civil, que trabalham na reconstrução da infra-estrutura do país.


Apesar de ter começado o seu negócio muito antes da Goldman Sachs aparecer em cena, Fatima jamais tinha aprendido sobre negócios ou marketing.


Ultimamente, não é sempre que se pode elogiar a Goldman Sachs. Mas o “progrma 10.000 Mulheres” dessa empresa bancária global oferece um vislumbre de luz nestes tempos sombrios da economia.


Iniciado em 2008, o programa é uma iniciativa filantrópica prevista para durar por 5 anos, que visa promover mudanças sociais através do empoderamento econômico das mulheres. Até agora, chegou a 2.000 mulheres em mais de 20 países, incluindo Afeganistão, Brasil, China, Egito, Índia, Ruanda e Estados Unidos.


A idéia é que a criação de uma força de trabalho composta por mulheres é fundamental para o crescimento da economia a longo prazo. Este parece ser o senso comum, ao invés de teorias econômicas avançadas, mas essa luminosidade é escassa em países subdesenvolvidos, devastados pela guerra ou onde as mulheres são, muitas vezes, tratadas como subumanas.


Às vezes precisamos de toda uma investigação científica para chegarmos a mais simples das conclusões. Uma pesquisa realizada para o programa mostrou que a raça humana lucraria, através de um efeito multiplicador, se investimentos fossem feitos nas mulheres. A educação não só levaria funcionárias melhor preparadas às empresas, aumentando o faturamento dessas (sempre o faturamento, não é mesmo?). Na verdade, quanto mais prósperas as mulheres forem, maior o nível de escolaridade e de saúde de suas famílias, o que acarreta em comunidades e países mais prósperos.


Parte da missão da Goldman Sachs é a criação de parcerias entre as escolas de negócios, para melhorar a educação empresarial no mundo todo. Hoje, mais de 30 escolas de negócios, incluindo 7 das 10 primeiras colocadas no ranking mundial, participam do programa 10.000 Mulheres. O programa é coordenado localmente através de uma rede de agências não-governamentais e acadêmicas.


Ouvindo Fatima, Masooda, Malalai e uma segunda Fatima, fiquei impressionada com a humildade e, sobretudo, com a coragem destas mulheres. Eu jamais tive que me preocupar com a minha segurança durante um dia normal de trabalho.


Durante o último ano, eu conheci inúmeras mulheres afegãs, através de várias organizações que trabalham para ajudá-las. Em todos os encontros, elas disseram sempre a mesma coisa e, desta vez, não foi diferente: “não sinta pena de nós mas, por favor, não nos esqueça.


Como poderíamos?

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